Geezer Butler Diz Que Usar Cantor de IA o Ajuda a Compor: “É Só Uma Ferramenta”

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Ok. Vamos ser honestos.
Se fosse qualquer outro músico, a reação seria imediata: “mas que porra é essa?”.
Mas estamos falando de Geezer Butler — então, por mais estranho que soe, a conversa muda um pouco.

O lendário baixista e principal letrista do Black Sabbath revelou que tem usado um cantor gerado por inteligência artificial como apoio no processo de composição. Não pra substituir músicos. Não pra lançar disco fake. Mas pra… mostrar ideias.

Sim. Mesmo assim, soa errado.
Mas vamos aos fatos.


“Eu não tinha um cantor em casa. Agora tenho.”

Geezer falou sobre o assunto durante sua participação na Steel City Con 2025, realizada entre 5 e 7 de dezembro em Monroeville, Pensilvânia. Ao ser questionado sobre novos trabalhos solo, ele explicou:

“Desde que fizemos o último show do Sabbath [‘Back To The Beginning’, em julho de 2025], tenho revisitado tudo o que escrevi desde os anos 80 e atualizado esse material.”

O problema, segundo ele, sempre foi o mesmo:

“O que me segurava antes é que eu não tinha um cantor quando estava em casa.”

A solução?

“Aí a IA apareceu. [Risos] Agora uso um cantor de IA para dar vida às letras. Assim posso levar isso aos cantores com quem vou trabalhar e dizer: ‘É isso que eu quero no álbum’.”

Antes, Geezer mostrava um riff de baixo e basicamente dizia “imagina alguma coisa aí”. Agora, ele chega com uma referência vocal clara.

Segundo ele, isso facilita o processo.
E, claro, gera controvérsia.


“Muita gente acha que isso é trapaça”

Aqui o próprio Geezer admite o óbvio:

“Muita gente acha que isso é trapaça.”

E… é mesmo.
Mas até o próprio texto original deixa escapar aquela verdade incômoda: às vezes, é a trapaça que faz a coisa andar.

Importante: Geezer não está dizendo que a IA escreve por ele. Nem que grava versões finais. Ele usa como ferramenta de pré-produção, algo que músicos já fazem há décadas com teclados, demos e guias vocais improvisados — só que agora com um robô cantando.


O método Sabbath: impossível de replicar

Quando explicou como funcionava o processo criativo do Black Sabbath, Geezer deixou claro o abismo entre homem e máquina:

“A gente sentava numa sala e ficava jammeando até alguém trazer algo que desse pra trabalhar. Quando o riff aparecia, a música se resolvia. O Ozzy criava a linha vocal, depois eu escrevia a letra.”

Esse tipo de criação não se simula.
Não se programa.
Não se automatiza.

Você não jammeia com uma IA. No máximo, você testa ideias em silêncio, sozinho, numa tela.


Ferramenta, muleta ou limite ético?

A questão aqui não é se Geezer Butler “está errado”.
A questão é onde começa e onde termina o uso aceitável da IA na música.

No caso dele, o argumento é forte:

  • ideias antigas

  • compositor veterano

  • uso como guia

  • músicos humanos assumem depois

Mas se isso virar padrão?
Se a referência virar composição?
Se o rascunho virar produto?

Aí a conversa muda.


O peso de quem diz

Talvez a maior razão pela qual essa história não causa revolta imediata seja simples: Geezer Butler não precisa provar nada pra ninguém.

Ele ajudou a escrever as letras mais sombrias, políticas e existenciais do heavy metal.
Ele moldou o gênero quando computador nenhum sabia o que era um riff.

Se alguém tem crédito pra testar limites, é ele.

Ainda assim, fica o alerta.


Metal ainda é humano (ou deveria ser)

Geezer pode até usar um cantor de IA pra organizar ideias.
Mas o que fez o Black Sabbath entrar pra história não foi eficiência.

Foi erro, barulho, improviso, medo, raiva e humanidade crua.

Que a IA fique no estúdio como ferramenta.
E não no palco como substituta.

Metal Never Die
Metal nasce do caos humano.
Máquina não sofre — e sem sofrimento, não existe riff que sobreviva.


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