Mesmo com o pé fora da estrada, Thomas “Angelripper” Such garante: o fogo do SODOM ainda está queimando. Aos 63 anos, o lendário baixista e vocalista do thrash alemão afirma que continua compondo e já tem ideias para um possível novo disco — mesmo que a banda esteja, por enquanto, sem planos de turnê.
Em entrevista a George Dionne, do KNAC.COM, o frontman deixou claro que criatividade não é o problema.
“Oh, sim. Eu tenho algumas ideias novas para letras e, às vezes, surge um riff de guitarra. Eu pego um dos meus baixos e gravo algumas coisas… Às vezes eu acordo no meio da noite com ideias. Preciso anotar e colocar no meu computador.”
Ou seja: pode até não ter show rolando, mas riff não para de nascer.
Novo álbum no radar?
Segundo Tom Angelripper, existe uma opção contratual com a gravadora SPV para um próximo trabalho. Nada confirmado oficialmente, mas a engrenagem já está girando.
“Temos uma opção [para um novo álbum] com a SPV. Eles querem um novo álbum. Eu não sei quando, mas acho que no próximo um ou dois anos estaremos falando sobre um novo disco.”
Vale lembrar que o último petardo da banda foi The Arsonist (2025), álbum que infelizmente não ganhou a turnê que merecia. E o próprio Tom admite que isso é dolorido.
“É uma pena”, comentou, sobre não ter feito shows em apoio ao disco.
Ele ainda destacou que, em The Arsonist, o baterista Toni Merkel contribuiu com composições próprias — algo que fortalece ainda mais o espírito coletivo do grupo.
“Sim. Eu ainda tenho ideias.”
Simples assim. Direto ao ponto. Thrash raiz.
A decisão de sair da estrada
A pausa nas turnês não é sobre falta de demanda — muito pelo contrário. Segundo Angelripper, o SODOM poderia agendar shows o ano inteiro se quisesse. Inclusive há propostas para festivais, turnês e até pedidos constantes para um giro mundial do “Big Four” do thrash alemão — ao lado de KREATOR, DESTRUCTION e TANKARD.
Mas a decisão foi pessoal.
“Eu tenho dois filhos. Minha filha tem 31 anos e meu filho 28. Agora eu posso passar mais tempo com eles e fazer outras coisas.”
E tem mais: relançamentos via BMG, home office e, claro, tempo para seu distrito de caça — algo que ele leva a sério.
“Eu estou vivendo sem nenhuma pressão. Às vezes eu simplesmente sento, tomo meu café e relaxo. Quando você está em turnê, não consegue relaxar. Você está sempre sob pressão.”
Mesmo sabendo que a banda deixa dinheiro na mesa ao não tocar — especialmente considerando os cerca de 50 festivais que rolam só na Alemanha — Tom não parece nem um pouco arrependido.
“Eu sei que vou perder muito dinheiro, mas não me importo. Eu tenho 63 anos. Preciso desacelerar um pouco. Meu médico disse: ‘Você está em ótima condição, mas desacelere um pouco. Faça outras coisas.’”
Vistos, burocracia e turnês nos EUA
Outro ponto levantado por Angelripper foi a dificuldade absurda para bandas internacionais conseguirem visto de trabalho nos Estados Unidos.
“É tanta papelada para ir aos EUA. E é muito difícil ir só para fazer alguns shows. Custa 2 mil dólares por pessoa para conseguir os documentos de trabalho — para a banda e também para a equipe.”
Ele ainda destacou a desigualdade do processo:
“Bandas americanas vêm para a Alemanha ou Europa e só precisam de passaporte. Não precisam de visto.”
A crítica é direta — e ecoa o que muitos músicos vêm relatando nos últimos anos.
Aposentadoria? Nem pensar.
Se alguém achou que o descanso era definitivo, pode esquecer. Tom Angelripper foi categórico ao dizer que não se trata de aposentadoria.
Ele até citou Tom Araya, do SLAYER, como exemplo de alguém que precisou desacelerar após décadas intensas na estrada.
“Eu não tenho planos. Não quero me colocar sob pressão dizendo que volto em tal ano. Quando eu sentir que quero voltar, eu volto.”
Enquanto isso, os outros membros seguem ativos: Frank Blackfire toca sua própria banda, FRANK BLACKFIRE, e Toni Merkel continua sendo requisitado como um dos bateristas mais respeitados da Alemanha.
Mas sobre o SODOM, a mensagem é clara: é pausa, não fim.
“Eu amo meus fãs, mas também amo a mim mesmo. Amo minha família. Amo meus velhos amigos. Agora é hora de parar e fazer outras coisas. Eu ainda estou saudável. Ainda sou criativo. É apenas uma pausa. Mas eu não sei quanto tempo vai durar.”
E conhecendo a história do thrash germânico… quando SODOM resolver voltar, pode ter certeza que vai ser com riff cortante, vocal rasgado e aquele espírito de guerra que nunca saiu de cena.
O metal pode até dar uma respirada — mas morrer? Jamais.
Por Maurício Almeida @mau_almeida 85
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