Phil Collins reage à entrada no Rock Hall: “Eu pensei que tinha acabado para mim”

Phil Collins comentou sua entrada como artista solo no Rock & Roll Hall Of Fame em entrevista recente ao programa Trunk Nation, da SiriusXM, apresentado por Eddie Trunk. O músico, que já havia sido introduzido no Hall da Fama como integrante do Genesis, disse ter ficado surpreso com a nova homenagem.

Ao ser perguntado se a inclusão solo havia sido uma surpresa, Collins respondeu que sim. Segundo ele, a notícia chegou por e-mail e não era algo que esperava mais acontecer.

“Eu meio que pensei que tinha acabado para mim. Não esperava. Estou muito, muito lisonjeado e feliz por terem pensado em mim”, afirmou o músico.

A cerimônia de inclusão do Rock & Roll Hall Of Fame de 2026 será realizada em 14 de novembro, no Peacock Theater, em Los Angeles, e terá transmissão pela ABC e pelo Disney+ em dezembro. Além de Phil Collins, a classe de 2026 inclui nomes como Iron Maiden, Oasis, Sade, Billy Idol, Joy Division/New Order, Wu-Tang Clan e Luther Vandross.

Durante a entrevista, Collins também relembrou o processo que levou ao nascimento de “Face Value”, seu primeiro álbum solo, lançado em 1981. O disco surgiu em meio a um período pessoal turbulento, quando o músico chegou a considerar deixar o Genesis para tentar salvar seu casamento.

Collins contou que foi para Vancouver, onde sua então esposa estava, disposto a abandonar a banda. Em uma reunião com os colegas do Genesis, comunicou sua decisão. No entanto, Tony Banks e Mike Rutherford sugeriram que ele não se apressasse, já que todos tinham material suficiente para trabalhar em discos solo.

De volta a uma casa vazia, Collins começou a mexer em equipamentos de gravação comprados durante uma turnê no Japão. Sem a intenção inicial de fazer um álbum, passou a gravar ideias sozinho, entre sessões caseiras no piano e idas ao pub.

Aos poucos, aquelas ideias começaram a tomar forma. O que era apenas uma tentativa de lidar com um momento pessoal difícil acabou virando material suficiente para um disco. A virada veio quando Ahmet Ertegun, lendário executivo da Atlantic Records, ouviu as demos e incentivou Collins a transformar aquilo em um álbum.

Foi assim que nasceu “Face Value”, obra que apresentou ao mundo uma nova faceta de Phil Collins fora do Genesis. O álbum trouxe uma sonoridade marcada por vulnerabilidade, soul, pop, bateria eletrônica e uma abordagem emocional que se tornaria uma das assinaturas de sua carreira solo.

Collins também falou sobre a criação de “In The Air Tonight”, talvez sua música solo mais emblemática. Segundo ele, a canção surgiu a partir de experimentos com uma bateria eletrônica simples, acordes tocados no piano e letras improvisadas. O primeiro verso, de acordo com o músico, nasceu de forma espontânea, cantado antes mesmo de ser escrito.

A famosa virada de bateria, uma das mais reconhecíveis da história da música pop e do rock, ganhou forma posteriormente em estúdio, com o uso do som de bateria “gated” que Collins já havia explorado em trabalhos com Peter Gabriel e o produtor Hugh Padgham.

O resultado foi uma faixa que atravessou décadas e se tornou quase inseparável da imagem pública de Phil Collins. Mais do que um hit, “In The Air Tonight” virou referência de produção, clima e impacto dramático dentro da música popular.

A entrada solo de Collins no Rock & Roll Hall Of Fame reforça o peso de uma carreira que vai muito além do Genesis. Entre baladas gigantes, experimentações de estúdio, trilhas para cinema, hits radiofônicos e momentos que marcaram gerações, Phil Collins se consolidou como uma das figuras mais reconhecíveis da música britânica.

E, pelo tom da entrevista, a homenagem chegou como algo inesperado até para ele.