Documentário sobre Paul Di’Anno reúne James Hetfield, Gene Simmons e Steve Harris

O documentário oficial sobre Paul Di’Anno, primeiro vocalista clássico do Iron Maiden, será lançado na América do Norte em 9 de junho de 2026, em formatos DVD, Blu-ray e VOD. Intitulado Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer, o filme também terá exibições especiais nos Estados Unidos, incluindo uma sessão no San Francisco Documentary Festival, em 3 de junho, e estreia teatral no Lumiere Music Hall Theater, em Beverly Hills, no dia 9 de junho.

A direção é de Wes Orshoski, cineasta conhecido por trabalhos como Lemmy, sobre Lemmy Kilmister, do Motörhead, e The Damned: Don’t You Wish That We Were Dead. O novo documentário acompanha os anos finais de Di’Anno, com foco em sua saúde debilitada, a mudança para a Croácia, a tentativa de recuperação física e emocional, e o retorno aos palcos após um período extremamente difícil.

Segundo a descrição da produção, o filme mostra como dois fãs do Iron Maiden encontraram Di’Anno em um dos momentos mais baixos de sua vida e ajudaram a organizar uma campanha que contribuiu para sua mudança para a Croácia, onde ele recebeu tratamento médico e conseguiu reconstruir parte de sua rotina. A história também registra reencontros, momentos de fragilidade, novas relações e o esforço do cantor para voltar a se apresentar.

O documentário conta com participações de nomes importantes do rock e do metal, incluindo James Hetfield, do Metallica, Gene Simmons, do Kiss, Steve Harris, do Iron Maiden, além de membros e ex-membros de bandas como Exodus, Slayer, Megadeth, Overkill e Sepultura. A versão em Blu-ray listada para lançamento também cita nomes como Gary Holt, Dave Ellefson, Blaze Bayley e Andreas Kisser entre os participantes.

Orshoski começou a filmar o projeto em 2017, inicialmente com a expectativa de acompanhar uma recuperação mais rápida de Di’Anno. Mas a realidade foi bem diferente. O cantor enfrentava problemas graves de saúde, usava cadeira de rodas e aguardava cirurgias que demoraram a avançar. Com a chegada da pandemia, sua condição piorou ainda mais, fazendo o documentário ganhar uma dimensão mais longa, crua e humana do que o planejado.

Paul Di’Anno marcou uma fase essencial da história do Iron Maiden. Ele entrou na banda no fim dos anos 70 e gravou os dois primeiros álbuns de estúdio do grupo: Iron Maiden, de 1980, e Killers, de 1981. Sua voz mais áspera, sua postura de rua e sua ligação com o punk ajudaram a moldar a identidade inicial da banda, antes da chegada de Bruce Dickinson e da transformação do Maiden em uma potência global do heavy metal.

Depois de deixar o Iron Maiden, Di’Anno passou por projetos como Di’Anno, Gogmagog, Battlezone e Killers, além de seguir carreira solo. Mesmo sem repetir o mesmo impacto comercial dos tempos de Maiden, ele permaneceu uma figura cultuada por fãs que enxergam nos dois primeiros discos da banda uma fase mais crua, urgente e visceral.

Di’Anno morreu em outubro de 2024, aos 66 anos, pouco depois de o documentário ter sido finalizado. Isso torna o filme ainda mais sensível: não se trata apenas de uma retrospectiva de carreira, mas de um retrato dos últimos anos de um artista tentando recuperar dignidade, movimento e palco em meio a limitações físicas severas.

A proposta do filme parece fugir da homenagem esterilizada. Em vez de apresentar apenas o mito do “ex-vocalista do Iron Maiden”, Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer mostra um personagem complexo, ferido, contraditório e ainda profundamente ligado à música. Um homem que ajudou a escrever o começo de uma das maiores bandas de metal da história, mas que também carregou o peso de viver à margem desse mesmo legado.

Para fãs do Iron Maiden, o documentário promete ser mais do que uma peça de arquivo. É uma chance de revisitar a importância de Paul Di’Anno sem romantizar suas quedas, mas também sem diminuir sua contribuição. Afinal, antes dos estádios, dos aviões personalizados e dos mascotes gigantes, havia um Maiden mais sujo, mais nervoso e mais perigoso. E a voz desse começo era Paul Di’Anno.