O que aconteceu com o Avenged Sevenfold? Nova fase experimental divide fãs e desafia a própria história da banda

O Avenged Sevenfold nunca foi uma banda conhecida por permanecer parada no mesmo lugar. Desde os primeiros trabalhos ligados ao metalcore até os discos mais progressivos e experimentais, o grupo norte-americano construiu sua carreira por meio de mudanças constantes.

Essa trajetória é o tema do novo vídeo publicado pelo canal Mas Isso na Minha Opinião, que percorre a discografia da banda e tenta responder a uma pergunta que vem sendo repetida por muitos fãs: afinal, o que aconteceu com o Avenged Sevenfold?

A análise defende que as mudanças não são uma novidade na história do grupo. A diferença seria a forma como essa transformação passou a acontecer nos trabalhos mais recentes, especialmente após The Stage, lançado em 2016, e Life Is But a Dream…, de 2023.

Das raízes no metalcore ao sucesso de City of Evil

O álbum de estreia, Sounding the Seventh Trumpet, lançado em 2001, apresentava uma sonoridade mais crua, acelerada e próxima do hardcore e do metal extremo. Ainda era uma versão embrionária do estilo que o grupo desenvolveria nos anos seguintes.

A evolução ficou mais evidente em Waking the Fallen, de 2003. O disco colocou o Avenged Sevenfold entre os principais nomes do metalcore norte-americano, misturando vocais agressivos, refrões melódicos e guitarras influenciadas pelo heavy metal tradicional.

Mesmo naquele momento, porém, a banda já mostrava características próprias, principalmente nos duetos de guitarra, nas estruturas mais elaboradas e na tentativa de escapar das fórmulas mais comuns do gênero.

A mudança seguinte veio por necessidade.

Após desenvolver problemas nas cordas vocais, M. Shadows precisou passar por uma cirurgia e alterar sua maneira de cantar. O vocalista abandonou boa parte dos gritos utilizados nos primeiros discos e passou a trabalhar uma abordagem mais limpa e melódica.

O resultado foi City of Evil, lançado em 2005.

Com faixas como “Bat Country”, “Beast and the Harlot” e “Seize the Day”, o Avenged Sevenfold alcançou um público muito maior e entrou definitivamente no circuito do metal mainstream.

O disco também consolidou elementos que se tornariam marcas registradas da banda, como solos virtuosos, guitarras harmonizadas, refrões grandiosos e uma produção mais acessível.

Avenged Sevenfold encontra sua fórmula

Em 2007, o grupo lançou o álbum homônimo Avenged Sevenfold.

O trabalho reuniu músicas pesadas como “Almost Easy” e “Afterlife”, uma balada com influências country em “Dear God” e uma composição completamente teatral e orquestrada em “A Little Piece of Heaven”.

Essa mistura já mostrava que a banda não tinha grande interesse em permanecer dentro de uma única categoria musical.

Ao mesmo tempo, o álbum parecia representar um momento de equilíbrio. O Avenged Sevenfold havia encontrado uma fórmula capaz de unir peso, técnica, melodias acessíveis e experimentação.

O grupo estava no auge comercial e artístico quando sofreu a maior perda de sua história.

A morte de The Rev e o peso de Nightmare

Em 28 de dezembro de 2009, o baterista James “The Rev” Sullivan morreu aos 28 anos.

Além de baterista, The Rev era uma das principais forças criativas da banda. Antes de morrer, ele havia deixado parte significativa do material que seria utilizado no álbum seguinte.

Para finalizar o trabalho, o Avenged Sevenfold convidou Mike Portnoy, ex-Dream Theater e um dos maiores ídolos de The Rev, para gravar as partes de bateria.

Lançado em 2010, Nightmare se transformou em um disco profundamente marcado pelo luto.

Canções como “Nightmare”, “Buried Alive”, “Fiction” e “So Far Away” ajudaram os integrantes a processar a perda do amigo e companheiro de banda.

Apesar do momento traumático, o álbum fez o Avenged Sevenfold crescer ainda mais e mostrou que o grupo conseguiria sobreviver à ausência de uma peça fundamental de sua identidade.

Hail to the King e a volta ao metal clássico

Com Hail to the King, de 2013, a banda mudou novamente.

Em vez das estruturas mais técnicas e progressivas dos trabalhos anteriores, o grupo apostou em músicas diretas, riffs mais simples e fortes referências ao heavy metal clássico.

Bandas como Metallica, Iron Maiden, Megadeth e Guns N’ Roses foram citadas como influências claras dessa fase.

O disco recebeu críticas por soar excessivamente parecido com trabalhos de outros grupos, especialmente em músicas como “This Means War”. Comercialmente, porém, foi um enorme sucesso.

“Hail to the King” e “Shepherd of Fire” se tornaram algumas das músicas mais populares do repertório do Avenged Sevenfold.

Quando parecia que o grupo poderia seguir definitivamente por um caminho mais previsível e radiofônico, uma nova transformação começou.

The Stage abre a fase progressiva

A entrada do baterista Brooks Wackerman, ex-Bad Religion, ajudou a banda a desenvolver uma abordagem mais técnica.

Em 2016, o Avenged Sevenfold lançou de surpresa The Stage, um álbum conceitual centrado em temas como inteligência artificial, astrofísica, autodestruição humana e manipulação social.

O trabalho apresentou músicas mais longas, mudanças frequentes de compasso, arranjos orquestrais e influências de rock progressivo.

A faixa “Exist”, com aproximadamente 15 minutos, encerra o álbum com uma reflexão sobre a criação do universo e inclui uma participação do astrofísico Neil deGrasse Tyson.

O disco dividiu o público.

Parte dos fãs considerou o material difícil de absorver, especialmente quando comparado à simplicidade de Hail to the King. A crítica especializada, por outro lado, enxergou o álbum como um dos trabalhos mais ambiciosos da carreira do grupo.

Life Is But a Dream… leva a experimentação ao limite

Sete anos depois, o Avenged Sevenfold lançou Life Is But a Dream….

Inspirado pelo absurdismo e por ideias relacionadas ao filósofo Albert Camus, o álbum discute mortalidade, rotina, livre-arbítrio e a busca humana por significado.

Musicalmente, o trabalho desconstruiu praticamente tudo que o público esperava da banda.

O disco mistura thrash metal, rock progressivo, jazz fusion, funk, música eletrônica, vocoder, autotune e até uma peça instrumental de piano.

Faixas como “Nobody”, “Game Over” e “Cosmic” mostraram uma banda menos preocupada com refrões imediatos ou estruturas tradicionais.

Segundo a análise apresentada no vídeo, o objetivo do grupo parecia ser construir uma obra conceitual completa, mesmo que isso significasse afastar parte dos fãs.

Liberdade artística ou falta de limites?

O ponto central do vídeo está justamente na avaliação dessa nova fase.

Por um lado, o Avenged Sevenfold é elogiado pela coragem de rejeitar fórmulas comerciais e produzir músicas sem a obrigação de agradar ao mercado.

A banda teria assumido o risco de perder público para defender uma visão artística mais livre e experimental.

Por outro lado, o vídeo questiona se essa independência não estaria produzindo trabalhos excessivamente longos, carregados e difíceis de absorver.

A ausência de uma figura externa capaz de limitar as ideias também é apresentada como um possível problema. Um produtor, por exemplo, poderia ajudar a enxugar arranjos, retirar excessos e tornar as composições mais objetivas.

Na visão apresentada pelo canal, o experimentalismo recente parece menos uma evolução natural e mais uma tentativa deliberada de provar que a banda amadureceu intelectualmente.

A banda sempre mudou, mas algo agora parece diferente

A história do Avenged Sevenfold mostra que mudanças sempre fizeram parte de sua identidade.

A transição do metalcore para o heavy metal melódico, a perda de The Rev, a simplicidade de Hail to the King e a complexidade de The Stage foram transformações motivadas por circunstâncias diferentes.

A fase atual, no entanto, parece partir de uma escolha consciente de rejeitar expectativas.

Para alguns fãs, essa postura representa coragem e liberdade artística. Para outros, a banda estaria abandonando características que fizeram seu público se conectar com suas músicas.

A discussão provavelmente continuará enquanto o Avenged Sevenfold insistir em seguir um caminho imprevisível.

Talvez essa seja justamente a única característica realmente constante da banda: quando o público finalmente entende sua fórmula, os músicos decidem destruí-la e começar outra vez.

O vídeo “O que ACONTECEU com o Avenged Sevenfold?” está disponível no canal Mas Isso na Minha Opinião, no YouTube.

 

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