Vocalista explica como a tecnologia facilitou a execução do repertório e destaca a “luxuosa” divisão de vocais com Michael Kiske e Kai Hansen
Andi Deris revelou que o Helloween atualmente tem condições de executar suas músicas clássicas novamente nas afinações originais. Em entrevista ao podcast “Meet My Guest”, do Mr. Music, o vocalista explicou como a evolução da tecnologia mudou a maneira como a banda administra ao vivo um repertório que atravessa diferentes fases e mais de quatro décadas de história.
Deris, que entrou para o Helloween em 1994 substituindo Michael Kiske, lembrou que durante muitos anos a banda optou por baixar a afinação de boa parte das músicas em meio tom. A decisão também ajudava a conciliar canções gravadas originalmente em diferentes afinações.
Segundo o cantor, a situação começou a ficar ainda mais evidente na época de “The Dark Ride”, álbum lançado em 2000 e marcado por afinações mais baixas.
“A maioria das músicas nós decidimos baixar meio tom. Acho que a partir de ‘The Dark Ride’ tivemos essas afinações mais baixas, meio tom ou até um tom inteiro abaixo.”
Naquela época, alterar constantemente a afinação durante um show era muito menos prático, especialmente para os guitarristas. Por isso, a banda buscava um meio-termo que permitisse encaixar músicas de diferentes períodos no mesmo repertório.
Tecnologia permite voltar às afinações originais
Mais de duas décadas depois, o cenário mudou. Deris explicou que os recursos atuais permitem alterar rapidamente a afinação dos instrumentos sem a necessidade das complicadas mudanças utilizadas anteriormente.
Com isso, segundo ele, o Helloween está novamente apto a executar as músicas conforme foram originalmente concebidas.
“Hoje é muito mais fácil. Com a tecnologia, podemos voltar às afinações normais. É só apertar um botão e você está meio tom abaixo ou meio tom acima. Agora somos capazes de tocar tudo novamente na afinação original.”
Apesar dessa facilidade, Deris descartou utilizar o recurso simplesmente para baixar o tom das músicas em uma noite na qual sua voz não esteja em boas condições.
O vocalista explicou que, durante uma turnê, os cantores desenvolvem uma rotina técnica específica para cada música. Alterar repentinamente a tonalidade poderia, segundo ele, causar mais problemas do que benefícios.
Caso fosse realmente necessário baixar todo o repertório por questões vocais, a decisão teria que ser tomada antes da turnê, com ensaios suficientes para que os músicos e vocalistas se acostumassem à mudança.
Até agora, porém, isso não foi necessário.
Deris destaca vantagem de dividir os vocais com Kiske e Hansen
A atual formação do Helloween também oferece uma vantagem que poucas bandas possuem: três vocalistas capazes de assumir partes importantes do repertório.
Desde a reunião que deu origem à fase Pumpkins United, Andi Deris divide os vocais com Michael Kiske, enquanto Kai Hansen também assume o microfone em determinados momentos.
Para Deris, essa configuração ajuda diretamente na preservação das vozes durante os shows.
“Compartilhar significa um pouco mais de descanso. Deixo Michael cantar a música dele e, depois de cinco minutos, estou bem novamente e consigo me apresentar muito melhor do que se tivesse que continuar sem uma pausa.”
O músico brincou ainda com a definição utilizada pelo próprio Kiske de que o Helloween possui “dois cantores e meio”, considerando as participações de Hansen.
Segundo Deris, essa divisão pode ser um dos fatores capazes de prolongar significativamente a carreira da banda.
“Isso provavelmente nos dá um passe livre para continuar por mais dez ou quinze anos sem irritar as pessoas, porque podemos dividir.”
A distribuição dos vocais também influencia diretamente na montagem do setlist. Durante os ensaios, os músicos conseguem reorganizar a sequência das músicas para oferecer períodos de recuperação aos cantores antes de trechos particularmente exigentes.
Helloween vive fase de estabilidade com formação ampliada
A atual formação reúne Andi Deris, Michael Kiske, Kai Hansen, Michael Weikath, Sascha Gerstner, Markus Grosskopf e Daniel Löble, consolidando a reunião iniciada com a turnê Pumpkins United.
O trabalho de estúdio mais recente do grupo é “Giants & Monsters”, lançado em 29 de agosto de 2025 pela Reigning Phoenix Music. O álbum sucedeu o autointitulado “Helloween”, de 2021, primeiro disco de estúdio registrado pela formação ampliada.
Antes disso, a banda lançou “Live At Budokan”, registro da apresentação realizada em 16 de setembro de 2023 no tradicional Nippon Budokan, em Tóquio.
Com três vozes para dividir um catálogo que inclui diferentes períodos e características vocais, o Helloween parece ter encontrado uma fórmula para manter no palco tanto as músicas da era Kiske quanto as décadas comandadas por Deris — e, agora, segundo o próprio vocalista, com a possibilidade de preservar também as afinações em que muitos desses clássicos foram originalmente gravados.