Black Pantera celebra 11 anos de luta, peso e consciência em novo álbum ao vivo

O Black Pantera lançou “Resistência! Ao Vivo no Circo Voador”, primeiro registro audiovisual da carreira da banda. O material documenta uma apresentação histórica realizada no Circo Voador, no Rio de Janeiro, em 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra, em uma noite que celebrou os 11 anos de trajetória do trio mineiro.

Formado em Uberaba, Minas Gerais, em 2014, o Black Pantera é composto por Chaene da Gama no baixo e vocal, Charles Gama na guitarra e vocal, e Rodrigo “Pancho” Augusto na bateria. Ao longo da última década, o grupo se consolidou como uma das vozes mais fortes do rock pesado brasileiro, misturando punk, hardcore, metal e discurso antirracista com uma urgência que não pede licença para entrar.

O álbum ao vivo reúne versões de faixas marcantes da banda, como “Perpétuo”, “Candeia”, “Tradução”, “Padrão É O Caralho” e “Mosha”, além dos singles já lançados “Fogo nos Racistas” e “Cola”. O projeto chega às plataformas digitais pela Deck e também ganha desdobramentos em vídeo no canal oficial da banda.

Mais do que um simples disco ao vivo, “Resistência!” funciona como um retrato de uma banda em plena afirmação. O Black Pantera já vinha em uma sequência importante com o álbum “Perpétuo”, de 2024, e agora transforma esse momento em documento de palco: suor, peso, roda, catarse e mensagem.

Em declaração sobre o lançamento, Chaene da Gama afirmou que a banda estava ansiosa para liberar um material trabalhado há bastante tempo, descrevendo o registro como uma forma de fechar uma primeira fase e pensar na próxima. Para ele, a noite no Circo Voador foi uma celebração de conquista e vitória, mas também parte de uma luta que vem antes da própria banda.

Esse contexto importa. O Black Pantera nunca foi apenas uma banda “com mensagem”. O trio construiu uma identidade em que som e posicionamento caminham juntos. O peso não está só nos riffs. Está também na escolha das palavras, na presença de palco, na forma como o grupo ocupa espaços historicamente pouco abertos para corpos negros dentro do rock e do metal brasileiro.

O registro também reforça a força do Circo Voador como palco simbólico para esse tipo de celebração. Na véspera do Dia da Consciência Negra, o Black Pantera levou para o centro da apresentação um repertório que fala de racismo, resistência, memória, sobrevivência e confronto direto. Sem suavizar. Sem pedir desculpa. Sem transformar dor em decoração.

Com o lançamento do álbum ao vivo, também chegaram clipes de “Intro/Padrão É O Caralho”, “Candeia/Estandarte” e “Mosha”. Os registros visuais das demais faixas serão lançados no YouTube oficial da banda até 15 de junho, enquanto o show completo também teve exibição prevista no Canal Bis.

Em um cenário onde muita banda ainda trata discurso social como acessório de release, o Black Pantera segue fazendo o contrário: coloca a mensagem no centro da pancada. “Resistência! Ao Vivo no Circo Voador” captura exatamente isso. Uma banda brasileira, mineira, pesada e consciente, transformando um show em registro histórico.