A crise envolvendo a DOGMA não dá sinais de cessar. Depois das saídas de Grace Jane “Lilith” Pasturini, Amber “Lamia” Maldonado e Patri “Rusalka” Grief, que já haviam denunciado publicamente o comportamento abusivo da equipe de gerenciamento, agora é Amber quem apresenta o relato mais detalhado — e o mais grave até aqui.
Em um texto longo e carregado de frustração, a guitarrista expõe episódios de manipulação, pressão psicológica, exploração, controle excessivo e até supostos “guias de entrevistas” escritos com IA e entregues a ela como se fossem roteiros obrigatórios.
Como tudo começou: “Fui fisgada pela banda”
Amber conta que entrou na DOGMA em 2022, após receber o convite para fazer um teste — mesmo com um dedo recém-costurado.
“Só existia um videoclipe não lançado de ‘Father I Have Sinned’, mas eu estava fisgada. Tive uma semana para aprender os solos de My First Peak e The Dark Messiah. Mesmo com pontos no dedo, taquei band-aid e fui praticar.”
Ela afirma que recebeu a notícia de que havia passado justamente no dia do seu aniversário de 25 anos.
“Tudo parecia certo. Eu vinha crescendo nas redes sociais, criando conteúdo, acompanhando meu progresso. Achei que meus esforços estavam finalmente dando retorno.”
Primeiros sinais: contratos estranhos e um ambiente “penteado”
Logo após gravar os videoclipes de Forbidden Zone e My First Peak, Amber começou a notar incoerências — especialmente no contrato.
“O contrato dizia que eu precisava da permissão da gerência para sair da banda. Eu mudei essa parte.”
Ela também conta que o management parecia agir de forma estratégica para manter aparência de normalidade enquanto substituía membros pelas sombras:
“Achava que éramos amigos. Hoje vejo que era uma encenação: manter a boa cara para segurar a única integrante restante enquanto o foco era substituir todas as outras.”
Tour, acidentes e pressão estética absurda
A situação piorou drasticamente durante as turnês.
Amber revela ter torcido o tornozelo no meio de um show no Uruguai e completado a tour usando silver tape.
“Quando saí do palco para colocar a coroa no solo de Carnal Liberation, alguém tinha removido a rampa e eu caí. Tapei o tornozelo e terminei a turnê.”
E a negativa para trocar os saltos altos por botas menores expôs outro problema:
“Pedi para usar botas com salto menor para proteger meus joelhos. A gerência disse não, porque eu pareceria muito baixa ao lado da Rusalka.”
Comida negada, controle extremo e “baboseiras de IA”
Durante a turnê americana, o descaso chegou a níveis bizarros.
“A gerência não priorizava nem comprar comida. Eu literalmente ANDEI até um Walmart e comprei comida para banda e crew para o mês inteiro — com meu próprio dinheiro.”
Segundo Amber, o management também tentava controlar a agenda ao ocultar informações básicas dos shows:
“No Brasil, não recebemos nenhum daysheet. A gerência proibiu o tour manager brasileiro de nos enviar. Se não soubéssemos nossos horários, não teríamos independência.”
E veio a acusação mais absurda — o uso de inteligência artificial para produzir roteiros de entrevistas:
“Eu adoro entrevistas, mas não quando o management escreve páginas de ‘textos confusos gerados por IA’ que eu sou obrigada a seguir.”
Manipulação emocional e pressão profissional
Amber afirma que havia uma rotina de discussões forçadas, cobranças incoerentes e ataques verbais:
“Fomos xingadas por quase uma hora no Chile. Quando disse que gritar era pouco profissional, o manager respondeu que eu era a não profissional e estava projetando.”
O relato também expõe chantagens para obrigá-la a participar de tours:
“Diziam que se eu não aceitasse aquela tour, estava fora para sempre. Que todas as outras já tinham aceitado — o que não era verdade.”
A decisão final: “Estar em turnê era meu sonho, mas não valia esse preço”
A guitarrista afirma que decidiu sair após perceber que estava emocionalmente e fisicamente esgotada.
“Eu sonhava com isso, mas não valia esse nível de estresse e maus-tratos. Para minha saúde, tive que dar um passo atrás.”
Amber afirma que por muito tempo teve medo de expor a história por receio de represálias contra as integrantes que ainda estavam na banda:
“Passei todo o verão sonhando que tentava contar minha história e ninguém se importava.”
E fecha seu relato com uma mensagem direta:
“Desde que falei, sinto que voltei a ser eu mesma. Recuperar minha voz me devolveu minha conexão com a música. Nunca deixe ninguém te silenciar. Sua voz importa.”
E agora? O outro lado ainda não falou
Até o momento, só as ex-integrantes se pronunciaram.
Os veículos que divulgaram a história afirmam que tentaram contato com o management da DOGMA, mas não obtiveram resposta.
A situação, que já tinha fumaça suficiente, agora se transforma quase em um incêndio — e deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas.
Por Maurício Almeida @mau_almeida85
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