O lendário vocalista Geoff Tate abriu o jogo sobre o começo da sua trajetória — e como percebeu, ainda jovem, o alcance impressionante da sua voz.
Em entrevista recente, o ex-QUEENSRŸCHE também falou sobre as mudanças na indústria musical e deu detalhes sobre o aguardado novo capítulo da saga Operation: Mindcrime.
O início de tudo: da casa da avó ao microfone
Segundo Geoff Tate, a descoberta do seu potencial vocal aconteceu quase por acaso — e em um cenário no mínimo inusitado.
“Bem, descobri minha extensão vocal bem cedo na vida. Um amigo meu tinha uma banda e precisava de um lugar para ensaiar… e eu estava cuidando da casa da minha avó enquanto ela estava viajando.”
A situação rapidamente saiu do controle — no melhor estilo rock ‘n’ roll:
“Convidei a banda para ensaiar lá durante o verão… o que foi uma ideia meio maluca. Eles ensaiavam na sala de estar e virou praticamente uma ‘casa de banda’. Minha avó ligava perguntando se estava tudo bem, e eu dizia: ‘Está tudo ótimo, vovó. Não se preocupe.’ [risos]”
O destino entrou em cena quando o vocalista da banda adoeceu — e abriu espaço para Tate assumir o posto.
“O guitarrista disse: ‘Consigo te ouvir cantando. Você tem uma voz legal — e consegue cantar RUSH. Queremos tocar o álbum 2112.’”
A partir daí, veio a constatação que mudaria sua vida:
“Descobri que conseguia cantar muito alto, como Geddy Lee, e também muito baixo, como Joe Cocker. Fui aprendendo simplesmente tentando cantar músicas diferentes — e sigo trabalhando nisso até hoje.”
Indústria musical: “Está completamente diferente”
Com mais de quatro décadas de estrada, Tate também comentou sobre como o mercado musical mudou drasticamente — especialmente com a ascensão da tecnologia e dos artistas independentes.
“Está completamente diferente agora. A forma como distribuímos música, como ouvimos música… tudo mudou.”
Ele destacou o impacto dos fones de ouvido e da tecnologia no comportamento do público:
“As pessoas usam esses pequenos fones o tempo todo. Estão ouvindo música, podcasts, notícias… isso mudou completamente a forma como consumimos som. E tentamos adaptar nossa música a esse novo cenário.”
O som de Operation: Mindcrime hoje vs. 1988
Ao relembrar o clássico Operation: Mindcrime, Tate foi direto ao comparar o som da época com os padrões atuais:
“Se você ouvir Operation: Mindcrime, de 1988 — um dos primeiros discos digitais — ele soa até antiquado hoje.”
Ele explica que a evolução tecnológica foi brutal:
“As frequências de grave que conseguimos hoje estão anos-luz à frente. Naquela época, os conversores analógico-digitais ainda estavam engatinhando. Hoje, estamos em outro nível completamente diferente.”
Novo capítulo: Operation: Mindcrime III
Os fãs podem se preparar: Geoff Tate está prestes a expandir ainda mais essa história clássica com Operation: Mindcrime III, com lançamento marcado para maio.
O primeiro single, Power, já deu uma amostra do que vem por aí.
O que esperar da história?
Diferente dos dois primeiros álbuns, o novo trabalho traz uma mudança importante na narrativa:
- A trama continua acompanhando Nikki, o assassino manipulado
- Mas agora sob a perspectiva do vilão Dr. X
“Dessa vez contamos a história do ponto de vista dele. É interessante porque antes víamos tudo pelos olhos do Nikki, sempre como vítima.”
O legado de Operation: Mindcrime
Lançado originalmente em 1988, Operation: Mindcrime elevou o QUEENSRŸCHE a outro patamar, se tornando um dos maiores álbuns conceituais da história do metal.
- Disco de platina nos EUA
- Presença em listas da Kerrang!, Billboard e Rolling Stone
- Temas densos: religião, drogas e política
Já a sequência Operation: Mindcrime II (2006) dividiu opiniões — sendo considerada por muitos como desnecessária, apesar de sólida.
Separação e novos caminhos
Após uma longa batalha judicial encerrada em 2014, ficou definido que:
- O QUEENSRŸCHE seguiria com sua formação (incluindo Todd La Torre)
- Geoff Tate manteria os direitos de executar Operation: Mindcrime ao vivo
Desde então, cada lado seguiu seu próprio caminho dentro do universo do metal.
Se tem algo que fica claro, é que Geoff Tate continua tão inquieto quanto nos anos 80 — seja revisitando clássicos ou expandindo sua própria mitologia musical.
E, pelo visto, tudo começou com um ensaio clandestino na casa da avó… 🤘
Por Maurício Almeida @mau_almeida85
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