John Cooper, do Skillet, fala sobre depressão, traições e mentiras: “Passei por muita coisa”

John Cooper revelou que experiências difíceis vividas nos últimos anos serviram como inspiração para “Scream”, novo single do Skillet. Em entrevista ao ChurchLeaders, o vocalista e baixista afirmou que enfrentou momentos de depressão, traições e mentiras ditas a seu respeito.

Lançada em 10 de julho, “Scream” antecipa um novo trabalho do grupo, que deverá contar com seis músicas. Segundo Cooper, o material representa uma das fases mais vulneráveis do Skillet em muito tempo.

“Definitivamente não é apenas o single. O próximo lançamento completo, que terá seis músicas, é, sem dúvida, o trabalho mais vulnerável que fizemos em muito tempo. Parece emocional, lidando com as coisas difíceis da vida”, explicou.

Para o músico, a mensagem de “Scream” está relacionada à forma como cada pessoa reage quando se depara com situações inesperadas de sofrimento.

“Todos nós passamos por situações. Algumas pessoas sofreram mais do que outras. E quando o sofrimento aparece, geralmente você não está esperando por isso. Você meio que vê do que é feito, vê o que é esse teste”, afirmou.

Cooper citou perdas, luto, traições, doenças, dependência e problemas de saúde mental como experiências capazes de provocar uma sensação de caos interior. Segundo ele, o “grito” presente na música nem sempre deve ser interpretado de maneira literal.

“Às vezes há tanto barulho que você se sente quase preso dentro de si mesmo ou no caos das coisas. Algumas pessoas soltam um grito literal, mas muitas vezes, para quem sofre com a saúde mental, é um tipo de grito silencioso. É um grito interior”, disse.

“O tapete foi puxado debaixo de nós”

Durante a entrevista, o vocalista contou que escreveu a música a partir de acontecimentos pessoais, embora tenha decidido não entrar em detalhes sobre as situações enfrentadas.

Cooper afirmou que ele e sua esposa, Korey Cooper, guitarrista, tecladista e responsável por programações e arranjos de cordas do Skillet, passaram por experiências que nunca imaginaram enfrentar.

“Passei por muita coisa nos últimos dois anos, muito da minha própria ‘noite escura da alma’, traições, mentiras e coisas que foram ditas sobre mim. E o tapete foi puxado debaixo de nós de uma maneira que eu e Korey nunca pensamos que aconteceria conosco”, revelou.

O cantor contou que essas experiências trouxeram de volta sentimentos com os quais não precisava lidar havia décadas.

“Comecei a realmente lutar contra esse caos e essa confusão de uma maneira que eu não fazia havia muito tempo. Para mim, isso se manifestou em alguma depressão e em algumas coisas que eu simplesmente não esperava. Pensei que tinha terminado com isso, mas voltou”, disse.

A expressão “cachorro preto”, utilizada por Cooper durante a conversa, é frequentemente usada como uma metáfora para a depressão. O músico decidiu falar publicamente sobre o assunto por acreditar que muitas pessoas, especialmente dentro de comunidades religiosas, podem sentir vergonha de admitir que estão sofrendo.

“Não há nada de vergonhoso em sofrer. Quero que as pessoas saibam que não estão sozinhas nisso. Está tudo bem admitir: ‘Sim, foi uma depressão muito estranha’”, declarou.

Fé não significa ausência de sofrimento

John Cooper também comentou as reações de pessoas que questionaram a relação entre “Scream” e a mensagem cristã defendida pelo Skillet ao longo de sua carreira.

Segundo o músico, existe uma tendência de interpretar problemas emocionais como sinais de pouca fé, especialmente dentro de algumas comunidades religiosas. Para ele, essa visão pode fazer com que pessoas em sofrimento evitem falar sobre o que estão vivendo.

“Podemos ficar com a sensação de: ‘Talvez eu não tenha tido fé suficiente’ ou ‘Talvez eu não esteja sendo um bom cristão por admitir isso’. Eu acredito que Jesus morreu por mim e que ele é o príncipe da paz, mas isso não garante que você não vai sofrer ou que sempre vai lidar bem com isso”, afirmou.

Cooper acrescentou que a fé também deve permitir conversas honestas sobre dor, dúvida e vulnerabilidade.

“Deus é forte o suficiente para aguentar isso. Ele é forte o suficiente para lidar com essa conversa”, completou.

Apesar da intensidade de “Scream”, o vocalista não considera a música uma expressão de raiva. Em sua interpretação, o grito representa o primeiro sinal de que ainda existe disposição para enfrentar a situação.

“Para mim, não é realmente sobre raiva. É mais sobre o fato de que este é o primeiro sinal de que ainda tenho vida em mim e estou revidando. Não estamos cedendo a isso”, explicou.

Cooper definiu a faixa como uma declaração de resistência diante de momentos em que uma pessoa pode deixar de reconhecer a si mesma.

“Esse grito, para mim, é como dizer: ‘Eu sei que minha vida importa. Sei que Deus pode me ajudar e não vou ceder a isso’. É, na verdade, um sinal de resistência”, declarou.

Redes sociais, caos e saúde mental

A composição também reflete a percepção de Cooper sobre a instabilidade do mundo e o impacto das redes sociais na saúde mental.

O músico descreveu as plataformas digitais como ambientes onde pessoas estão constantemente discutindo e atacando umas às outras, aumentando a sensação de que nada possui significado.

“Não acho que sou o único percebendo a volatilidade do mundo e como as redes sociais são um esgoto onde as pessoas estão constantemente gritando umas com as outras. Isso não está ajudando a saúde mental de ninguém”, afirmou.

Nesse contexto, “Scream” aborda a necessidade de encontrar propósito em meio a um cenário que pode parecer caótico e sufocante.

“É sobre querer que sua vida importe quando o mundo parece caótico e avassalador”, resumiu.

Musicalmente, a faixa combina guitarras inicialmente mais contidas com distorções pesadas, elementos eletrônicos, teclados sombrios e um refrão construído como uma descarga emocional. O Skillet também voltou a Memphis para trabalhar com um produtor que já conhecia o grupo antes mesmo da gravação de seu primeiro álbum.

“A vida tomou alguns rumos ótimos, mas também tomou rumos dolorosos. Agora estamos aqui e ainda temos mais histórias para contar. A música continuou ficando mais pesada, e eu disse: ‘Temos que ir com tudo’”, explicou Cooper.

Skillet prepara lançamento com seis músicas

“Scream” é a primeira amostra de um próximo lançamento do Skillet formado por seis faixas. Cooper ainda não revelou o título ou a data de chegada do projeto, mas antecipou que o material terá uma abordagem mais pessoal e emocional.

A música foi apresentada ao vivo pela primeira vez em 14 de maio de 2026, durante um show do grupo na Arena 8888, em Sófia, na Bulgária.

O lançamento também acompanhou o anúncio da turnê “Comatose: 20 Years, Still Screaming”, criada para celebrar os 20 anos de “Comatose”, álbum lançado em 2006 e considerado um dos trabalhos mais importantes da carreira do Skillet.

“Quando lançamos ‘Comatose’, todos nós tivemos a sensação de que estávamos fazendo algo especial. O que não sabíamos é que o álbum mudaria a trajetória da carreira da banda”, relembrou Cooper.

O disco ajudou a estabelecer o som e a mensagem que acompanhariam o Skillet nas décadas seguintes, além de ampliar significativamente a projeção internacional do grupo.

“Ele definiu nosso som, nossa mensagem e impulsionou a banda para um nível muito maior de notoriedade. Mas, o mais importante, ressoou com todos os tipos de pessoas, de todas as esferas da vida”, afirmou.

Segundo Cooper, fãs ainda relatam que as músicas de “Comatose” os ajudaram a atravessar períodos difíceis. Por isso, a banda decidiu reservar uma parte significativa dos novos shows para o repertório do álbum.

“Algumas delas tocamos mil vezes. Outras nunca tocamos. Estamos animados para apresentá-las ao lado de nosso catálogo nesta turnê”, disse.

“Monster” ultrapassa quatro bilhões de reproduções

O lançamento de “Scream” acontece após um período de novas conquistas para o Skillet. “Monster”, uma das músicas mais conhecidas da banda, ultrapassou quatro bilhões de reproduções globais e passou a integrar o Billions Club do Spotify.

A faixa possui certificação de seis vezes platina e permanece como uma das gravações de maior alcance comercial da história do grupo.

Antes do novo single, o Skillet também realizou uma turnê europeia com ingressos esgotados. De acordo com as informações divulgadas pela equipe da banda, mais de 90 mil pessoas acompanharam as apresentações em 23 cidades, representando o maior público internacional reunido pelo grupo em uma única passagem pelo continente.

Com mais de duas décadas de projeção internacional, o Skillet acumula duas indicações ao Grammy, um Billboard Music Award, certificações de ouro e platina e três álbuns que estrearam entre as cinco primeiras posições da Billboard 200.

A banda também expandiu seu universo para outras mídias com a série de graphic novels “Eden”, publicada em parceria com a Z2.

Agora, com “Scream”, John Cooper abre um capítulo mais pessoal na trajetória do grupo, transformando experiências de depressão, traição e vulnerabilidade em uma música que, segundo ele, não representa desistência, mas resistência.

Foto cortesia de Atom Splitter PR.