Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden, voltou a falar abertamente sobre seu estado de saúde após o infarto sofrido em março de 2023, que resultou em uma delicada cirurgia de quádruplo bypass. Dois anos e meio após o susto, o vocalista inglês de 62 anos revelou detalhes emocionantes e contundentes sobre sua recuperação — e os desafios que ainda enfrenta.
Em entrevista ao jornalista português Jorge Botas, do programa Metal Global, Blaze demonstrou gratidão por estar vivo, mas não poupou críticas ao sistema:
“Tive sorte. Com doenças cardíacas, é algo que vai se acumulando e você nem percebe. Um dia você está tendo um infarto e se pergunta: como isso aconteceu?”
Segundo ele, o pior momento foi quando os médicos descartaram a possibilidade de tratar com stents e informaram que seria necessária uma cirurgia mais agressiva. Após o procedimento, Blaze ainda sofreu com uma lesão no joelho que atrasou sua reabilitação por meses. Mas a batalha real começou em casa, com o que ele considera o inimigo mais persistente: a alimentação moderna.
“A pior parte de tudo é a dieta, cara. É difícil. Eu consegui perder 14 quilos só comendo de forma sensata, sem exercício. Mas maus hábitos voltam… e quando percebo, lá estou eu comendo tortas de novo.”
Ele não hesitou em apontar os culpados:
“A indústria alimentícia e a Big Pharma são cúmplices nisso tudo. Estão nos engordando e causando doenças cardíacas e AVCs. E ainda dizem que pão fatiado é a melhor invenção? Não, é veneno.”
Blaze ainda compartilhou que deixou o álcool há anos, mas garante que foi mais difícil abrir mão de açúcar, biscoitos e bolos do que da bebida:
“Eu não era alcoólatra, mas sabia que precisava parar. Agora, largar chocolate? Isso sim é um desafio. Mas aí eu perco peso, me sinto ótimo… e vem aquela voz dizendo: ‘só esse pedacinho’. E pronto, estou parecendo alguém prestes a ter outro infarto.”
Dez minutos da morte
Blaze relembrou, com frieza britânica e honestidade desconcertante, os minutos que separaram sua vida da morte:
“Se os paramédicos tivessem chegado 10 minutos depois, eu não estaria aqui. Por sorte, estavam voltando do intervalo e ouviram a chamada. Dois minutos depois estavam na minha casa. Quinze minutos depois, eu já estava no hospital, recebendo tratamento.”
A cirurgia — um quadruple bypass — foi descrita como algo brutal:
“Eles basicamente te cortam ao meio, fazem uma nova tubulação e te costuram de volta. Usaram fio de aço cirúrgico duplo. Eu disse: ‘então agora eu tenho mais metal no corpo ainda?’ Mais metal, sim. Literalmente.”
O coração de um guerreiro
Desde sua saída do Iron Maiden, Blaze seguiu firme em sua carreira solo, lançando vários discos sob seu nome e com a banda Wolfsbane. Seu álbum mais recente, Circle Of Stone, saiu em fevereiro de 2024.
Apesar das adversidades, ele segue determinado:
“Pensei nos meus fãs. Não podia deixar tudo assim. Ainda tenho mais músicas para lançar. Ainda tenho algo a dizer.”
Para Blaze, o amor dos fãs fez toda a diferença. Ele relatou ter recebido centenas de cartas, mensagens e até camisetas compradas de turnês que precisaram ser canceladas por causa da cirurgia:
“Quando alguém diz que sua música o ajudou a atravessar um momento difícil, isso te marca para sempre. Eu só tenho a agradecer.”
Em tempos de ultraprocessados e vícios disfarçados de conveniência, Blaze Bayley segue sendo um símbolo de resistência — não só no metal, mas na vida. Um sobrevivente que continua mais metal do que nunca.
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