O metal extremo vive de história, confronto e legado — e poucos nomes carregam tanto peso quanto o Venom. No dia 30 de novembro, esse legado ganhou vida novamente em um palco lendário: Shinjuku Antiknock, em Tóquio, no Japão. Foi ali que Jeff Dunn (guitarra) e Antony Bray (bateria), membros fundadores do Venom, se reuniram para um show especial que rapidamente entrou para a história do underground.
A apresentação contou com um line-up de convidados de elite da cena japonesa, transformando o concerto em um verdadeiro ritual extremo. No palco, Mantas e Abaddon executaram clássicos absolutos do Venom ao lado de Masaki Tachi (baixo e vocais), Mirai Kawashima (vocais), Shinji Tachi (bateria) e Noboru Sakuma (guitarra). O peso do evento foi ainda reforçado pelas bandas de abertura SURVIVE e HELL FREEZES OVER.
O vídeo completo do show já está disponível no YouTube, documentando cada minuto dessa noite histórica e comprovando que o espírito cru e primitivo do Venom segue intacto — sujo, agressivo e absolutamente relevante
Entre os momentos mais emblemáticos do show está a execução de “Welcome To Hell”, faixa que batiza o álbum de estreia do Venom, lançado em 1981, e que se tornaria uma das pedras fundamentais do metal extremo. Não por acaso, Mantas e Abaddon anunciaram que 2026 será dedicado à celebração dos 45 anos de “Welcome To Hell”, com apresentações especiais em festivais como Keep It True (Alemanha) e Graspop Metal Meeting.
Em entrevistas recentes, Mantas deixou claro que o projeto não é uma “reunião clássica”, mas sim uma celebração da música:
O que estamos fazendo é simples: celebrar a música que escrevemos há 45 anos. Dois membros originais no palco, tocando esse material da forma como ele nasceu — Jeff “Mantas” Dunn
Sobre a possibilidade de participação de Conrad Lant, Mantas confirmou que o convite foi feito, mas recusado, deixando claro que antigas tensões pessoais e jurídicas tornam improvável uma reunião completa. Ainda assim, o guitarrista foi direto ao ponto ao resumir sua visão:
Uma banda não é sobre logos, camisetas ou nomes. É sobre música. Se as pessoas usam a camisa de uma banda, é porque amam aquelas músicas — Mantas
A fala ecoa uma realidade complexa: hoje existem três projetos distintos ligados ao nome Venom — a versão liderada por Cronos, o Venom Inc. (liderado por Tony “Demolition Man” Dolan) e agora essa celebração conduzida por Mantas e Abaddon, focada exclusivamente no repertório clássico.
O reencontro em Tóquio não foi apenas um show isolado. Foi uma afirmação histórica. Uma lembrança viva de que discos como Welcome To Hell, Black Metal e At War With Satan não apenas influenciaram gerações, mas criaram gêneros inteiros, inspirando bandas como Metallica, Celtic Frost, Mayhem e Behemoth.
Sem maquiagem, sem nostalgia vazia e sem discursos conciliatórios, Mantas e Abaddon subiram ao palco para fazer o que sempre fizeram melhor: tocar Venom da forma mais crua possível. E, pelo que o vídeo deixa claro, o inferno continua aberto.
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