Tarja Turunen relembra saída traumática do Nightwish: “Eu deveria tê-los feito passar pelo inferno”

Vocalista afirma que poderia ter recorrido à Justiça após sua demissão em 2005, mas preferiu deixar o conflito para trás e reconstruir a própria vida.

Mais de duas décadas depois de sua conturbada saída do Nightwish, Tarja Turunen voltou a falar sobre o episódio que marcou profundamente sua vida pessoal e profissional. Em entrevista à revista britânica Metal Hammer, a cantora afirmou que, olhando para trás, talvez devesse ter reagido de maneira mais firme contra seus antigos companheiros de banda.

Segundo Tarja, ela possuía contratos e direitos que poderiam ter causado sérios problemas ao grupo caso tivesse decidido levar a disputa aos tribunais. No entanto, a vocalista preferiu encerrar aquele capítulo e seguir em frente.

“É muito triste como tudo terminou. A única coisa que eu teria feito diferente é que provavelmente deveria tê-los feito passar pelo inferno.”

Tarja foi demitida do Nightwish em outubro de 2005, logo após o último show da turnê do álbum Once, em Helsinque. A decisão foi comunicada por meio de uma carta aberta, publicada no site oficial da banda, na qual os músicos acusavam a cantora de priorizar negócios e dinheiro em detrimento das relações pessoais.

Para Tarja, porém, a maneira como tudo foi conduzido representou uma tentativa calculada de destruir sua imagem publicamente.

“Houve um grande planejamento sobre como eles queriam me destruir diante do público. Eu nunca esperava algo assim. Foi desagradável.”

Exposição pública e mudança para a Argentina

A repercussão da separação tomou grandes proporções na Finlândia. Durante semanas, o rosto de Tarja apareceu constantemente nos tabloides do país, enquanto fãs e imprensa acompanhavam cada novo capítulo da crise.

A pressão fez com que a cantora deixasse sua terra natal e se mudasse para Buenos Aires, na Argentina, onde passou a viver com o marido e empresário, Marcelo Cabuli.

Tarja explicou que as consequências não ficaram restritas à sua carreira. Familiares e amigos também foram atingidos pela exposição e pelas acusações públicas.

“Foi difícil porque afetou muito mais pessoas do que apenas a mim. Minha família e meus amigos ficaram arrasados.”

A cantora também admitiu que levou muito tempo para voltar a confiar nas pessoas. Segundo ela, o apoio do marido, da família e dos amigos foi fundamental durante o período mais complicado de sua vida.

Relação com os antigos integrantes

O tecladista e principal compositor do Nightwish, Tuomas Holopainen, já descreveu a decisão de afastar Tarja como uma das mais difíceis de sua vida. A cantora, por outro lado, declarou anteriormente que a maneira como foi demitida mostrou que seus antigos colegas não eram realmente seus amigos.

Apesar das feridas, Tarja não descarta completamente algum tipo de reconciliação no futuro. Em entrevistas anteriores, ela afirmou que aprendeu a não fechar portas, embora considere improvável uma reunião com o Nightwish.

A vocalista mantém uma relação mais próxima com Marko Hietala, que entrou na banda depois de sua formação original. Os dois chegaram a dividir o palco em dezembro de 2017, durante uma apresentação do projeto natalino Raskasta Joulua, na Finlândia.

Sobre Tuomas, Tarja revelou que os dois passaram muitos anos sem se encontrar, embora tenham retomado algum contato.

Processo envolvendo biografia do Nightwish

A polêmica envolvendo a saída da cantora também chegou aos tribunais. Marcelo Cabuli e seus parceiros de negócios processaram a editora e o autor da biografia oficial Once Upon a Nightwish: The Official Biography 1996-2006.

Eles alegaram que o livro apresentava acusações falsas e responsabilizava Cabuli pelos acontecimentos que levaram à demissão de Tarja.

Em 2011, o Tribunal Distrital de Helsinque rejeitou o processo. A Justiça considerou que as passagens sobre o empresário não foram suficientes para prejudicar sua reputação ou suas atividades profissionais na América do Sul.

Nova fase da carreira

Desde que deixou o Nightwish, Tarja construiu uma carreira solo sólida, transitando entre o metal sinfônico, a música clássica e projetos experimentais.

Seu trabalho mais recente, “Frisson Noir”, foi lançado em 12 de junho pela earMUSIC. O álbum foi apresentado como o disco mais pesado de sua trajetória e uma declaração de identidade, força e pertencimento.

Mesmo após tantos anos, a separação do Nightwish continua sendo um dos episódios mais comentados da história do metal sinfônico. Para Tarja, no entanto, o passado não pode ser alterado. O caminho possível é seguir adiante, ainda que certas marcas jamais desapareçam completamente.