O impacto da morte de Ozzy Osbourne continua reverberando por todas as camadas do metal, e entre os tributos mais autênticos e emocionantes está o do System Of A Down — uma banda que deve parte da sua trajetória à generosidade e visão do Príncipe das Trevas. Em uma série de mensagens publicadas nas redes sociais, os quatro integrantes compartilharam memórias pessoais, revelando não apenas a reverência por Ozzy como lenda, mas também o afeto genuíno por quem ele era como ser humano.
“Se você pode ver meu rosto e meus olhos nesta foto, pode ver que eu me sentia como se estivesse em um sonho. Isso porque, quando criança, Ozzy era muito importante para mim, ele realmente aparecia em meus sonhos. Eu tinha apenas 22 ou 23 anos quando esta foto foi tirada, então eu ainda era uma criança. Mas eu estava vivendo meu sonho ao lado do cara que eu idolatrava a vida toda. Descanse em paz, Ozzy. Você significou tudo para mim.” — Daron Malakian
Daron, guitarrista e membro fundador da banda, expressou aquilo que milhares de músicos e fãs sentem: Ozzy era maior que a vida. Sua presença pairava sobre o metal como uma entidade — tanto nas guitarras sombrias quanto nas risadas fora de cena. E quando Daron o conheceu pessoalmente, o impacto foi tão forte quanto um riff em drop C: realidade e sonho se fundiram.
“Estou de coração partido e sem palavras. Condolências à família Osbourne. Descanse em paz, meu amigo.” — Shavo Odadjian
O baixista preferiu a linguagem direta, crua, que diz tudo mesmo quando diz pouco. Um silêncio reverente para quem parecia imortal.
“Ozzy foi nosso padrinho musical nos induzindo ao mundo do Ozzfest como uma banda jovem. Ele sempre foi engraçado com um desprezo pela hipocrisia, uma qualidade que sempre admirarei e apreciarei.” — Serj Tankian
Serj, com a precisão lírica que o caracteriza, foi direto ao ponto: Ozzy abriu as portas. Foi através do Ozzfest, o festival itinerante criado por Sharon e Ozzy, que o System Of A Down teve seu primeiro contato com multidões globais. Mais do que palco, foi validação. O selo de aprovação de um dos criadores do gênero. Para uma banda com letras ácidas, engajamento político e som caótico, encontrar espaço ali não era óbvio — era mérito. E era Ozzy.
“Ele zombou de mim por me limpar sentado, minha lembrança mais querida desse homem gentil que era um ícone.” — John Dolmayan
E como toda boa história envolvendo Ozzy, não podia faltar o humor bizarro. John Dolmayan resgatou um momento de intimidade quase absurda, mostrando que o vocalista do Sabbath sabia como trazer leveza mesmo em meio ao peso do mundo.
Mais do que homenagens, essas lembranças revelam um homem que era mais do que a imagem construída ao longo das décadas. Ozzy era o caos e o acolhimento. A sombra e a gargalhada. Um padrinho não só do System Of A Down, mas de toda uma geração que cresceu ouvindo suas insanidades e aprendendo que ser estranho, fora da curva, intenso — era não só permitido, mas necessário.
O mundo perdeu um dos seus maiores. Mas as bandas que ele inspirou seguem como tochas acesas. E como disse Serj: “ele desprezava a hipocrisia” — e talvez por isso tenha sido tão amado. Porque no final das contas, Ozzy sempre foi real. Mesmo sendo um mito.
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