Robert Trujillo relembrou a sequência improvável de acontecimentos que antecedeu sua entrada no METALLICA, em 2003. Em um intervalo de aproximadamente 48 horas, o baixista recebeu ligações de Ozzy Osbourne e Lars Ulrich, colocando diante dele duas oportunidades gigantescas e a difícil decisão que mudaria definitivamente sua carreira.
O músico falou sobre o episódio durante sua participação no podcast em vídeo “Trying Not To Die”, apresentado por Jack Osbourne e Ryan Drexler. Na conversa, Trujillo também revisitou sua trajetória desde a cena musical de Los Angeles, passando pelo SUICIDAL TENDENCIES e pela banda de Ozzy, até chegar ao METALLICA.
Além da carreira, o baixista comentou sua relação próxima com Ozzy, o vínculo construído entre as famílias Osbourne e Trujillo e algumas experiências paranormais que, segundo ele, continuam sem explicação.
Uma ligação de Ozzy e outra de Lars Ulrich
Trujillo explicou que sua contratação pelo METALLICA aconteceu de maneira semelhante à sua entrada para a banda de Ozzy. Nos dois casos, houve um longo período de espera e incerteza até que uma decisão fosse finalmente comunicada.
Segundo Robert, Ozzy entrou em contato dizendo que voltaria à estrada para participar da Ozzfest e queria contar novamente com o baixista. Trujillo aceitou o convite, mas, no dia seguinte, recebeu uma ligação de Lars Ulrich pedindo que viajasse até São Francisco para uma conversa.
“Foi meio bizarro porque, em cerca de 48 horas, dois dos indivíduos mais poderosos do hard rock estavam me procurando”, recordou.
Ao chegar ao encontro com o METALLICA, Trujillo recebeu oficialmente a proposta para entrar na banda. Mesmo diante da oportunidade, o músico ainda demonstrou preocupação em cumprir seu compromisso com Ozzy.
“Eu disse que queria garantir que cuidaria do pai do Jack, faria a turnê e cumpriria meu compromisso. Eles responderam: ‘O trem está andando e está andando rápido’”, contou.
Naquele momento, o METALLICA se preparava para lançar “St. Anger” e iniciar uma nova fase de sua carreira. Trujillo precisou escolher rapidamente qual caminho seguir.
“Foi uma daquelas situações raras em que duas coisas incríveis acontecem ao mesmo tempo e você precisa tomar uma decisão pensando no futuro”, explicou.
A audição regada a bebidas com Lars Ulrich
A audição de Trujillo para o METALLICA aconteceu durante dois dias e acabou registrada no documentário “Some Kind Of Monster”, lançado em 2004.
Em uma entrevista publicada em novembro de 2015 no podcast “WTF With Marc Maron”, o baixista contou que o primeiro dia foi bastante confuso. Sem receber muitas orientações, ele permaneceu no estúdio observando James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e o produtor Bob Rock trabalhando.
O baixo do álbum “St. Anger” já havia sido gravado pelo próprio Bob Rock. Assim, Trujillo passou boa parte do dia circulando pelo complexo da banda, tentando entender quando sua verdadeira audição começaria.
Por volta das 23h, Lars o convidou para tomar uma bebida. A dupla passou por vários bares e terminou a noite na casa do baterista, já perto das cinco da manhã.
Trujillo dormiu apenas quatro horas. Quando acordou, encontrou Lars completamente recuperado e correndo em uma esteira, enquanto ele enfrentava uma ressaca brutal.
Pouco depois, os dois seguiram para o estúdio.
“Eu pensava que Lars tinha feito aquilo para me testar e descobrir se eu conseguiria acompanhá-lo. Tinha que ser um teste. Ele é um viking”, brincou o baixista.
Enquanto os integrantes do METALLICA participavam das sessões de terapia conduzidas por Phil Towle, Trujillo tentava disfarçar a dor de cabeça e se preparar para tocar.
Ele aproveitou a presença do técnico de baixo Zach Harmon, que conhecia desde a turnê conjunta entre SUICIDAL TENDENCIES e METALLICA em 1993, para ganhar algum tempo escolhendo um instrumento e configurando os amplificadores.
“Battery” salvou a audição
Mesmo sem estar em suas melhores condições, Trujillo conseguiu impressionar a banda quando começou a tocar.
Uma das músicas escolhidas foi “Battery”, clássico do álbum “Master Of Puppets”. Segundo o baixista, tocar ajudou a diminuir o nervosismo e permitiu que ele se concentrasse no que sabia fazer melhor.
“Se eu conseguia tocar, estava tudo bem. O problema era conversar com Hetfield. Ele fazia perguntas e eu dava respostas muito estúpidas porque não estava totalmente presente”, relembrou.
Outro detalhe curioso registrado em “Some Kind Of Monster” é a camiseta marrom da Armani usada por Trujillo durante a audição.
O músico revelou que a peça não era dele. Sua roupa original já estava em condições pouco apresentáveis depois da longa noite com Lars, e Skylar, esposa do baterista na época, providenciou outra camiseta para ele.
Apesar do caos, a apresentação foi considerada um sucesso. Trujillo recebeu a vaga e entrou oficialmente para o METALLICA em 2003, substituindo Jason Newsted.
O desafio de tocar as fases de Cliff Burton e Jason Newsted
Ao longo dos anos, Trujillo também precisou adaptar seu estilo às diferentes fases musicais do METALLICA.
Em entrevista ao podcast “Talk Is Jericho”, ele explicou que o material produzido por Bob Rock, especialmente as músicas do “Black Album”, exige uma abordagem mais simples e concentrada no groove.
Já as composições originalmente gravadas por Cliff Burton pedem uma execução mais agressiva, técnica e firme.
Mesmo nas músicas do “Black Album”, Trujillo continua tocando predominantemente com os dedos, preservando sua identidade como baixista.
Ele também destacou o orgulho de participar de uma fase em que o METALLICA passou a recuperar músicas raramente executadas ao vivo, incluindo “The Struggle Within”, “Orion” e “Dyers Eve”.
“Essas músicas nos desafiam e, de muitas maneiras, fazem desta formação uma banda melhor”, afirmou.
Uma trajetória construída antes do METALLICA
Nascido em 23 de outubro de 1964, em Santa Monica, Califórnia, Robert Trujillo ganhou projeção com o SUICIDAL TENDENCIES e o INFECTIOUS GROOVES antes de trabalhar com Ozzy Osbourne.
Sua relação com o METALLICA começou ainda em 1993, quando o SUICIDAL TENDENCIES participou de uma turnê ao lado da banda durante o ciclo do “Black Album”.
Anos depois, quando seu nome apareceu entre os candidatos para substituir Jason Newsted, James Hetfield inicialmente duvidou que Trujillo aceitasse o convite.
“Não há a menor chance de ele entrar para a gente. Ele é bom demais, espetacular demais”, teria pensado o vocalista.
Mais de duas décadas depois, Trujillo não apenas continua no METALLICA como se tornou o baixista que passou mais tempo na formação da banda.
Confira abaixo a entrevista completa de Robert Trujillo ao podcast “Trying Not To Die”.
Fonte: BLABBERMOUTH.NET / Trying Not To Die