Charlie Benante espera que o Pantera lance músicas novas “em algum momento”

Charlie Benante voltou a falar sobre a possibilidade de a atual formação do Pantera gravar músicas inéditas. Em entrevista ao podcast “Talk Is Jericho”, apresentado por Chris Jericho, do Fozzy, o baterista do Anthrax e atual integrante da turnê do Pantera afirmou que espera que algo novo aconteça “em algum momento”, mas deixou claro que a decisão está nas mãos de Philip Anselmo e Rex Brown.

A formação atual do Pantera reúne os membros sobreviventes Philip Anselmo nos vocais e Rex Brown no baixo, ao lado de Zakk Wylde na guitarra e Charlie Benante na bateria. Desde o retorno aos palcos, o grupo tem tratado as apresentações como uma celebração do legado da banda, e não como uma reunião tradicional, já que os irmãos Dimebag Darrell e Vinnie Paul não estão mais vivos.

Questionado se ele e Zakk Wylde seriam capazes de criar riffs no estilo do Pantera para um eventual material novo, Benante foi direto ao ponto. Segundo ele, conseguiria fazer isso sem dúvida, mas ainda não sabe se esse é o caminho que o projeto vai seguir. Para Charlie, tudo depende de Philip e Rex e de como eles querem conduzir o futuro da banda.

A fala é importante porque toca em um dos assuntos mais delicados envolvendo o retorno do Pantera. Desde que a atual formação começou a se apresentar, parte do público abraçou a ideia como uma celebração necessária, enquanto outra parte criticou o uso do nome sem Dimebag e Vinnie Paul. Benante, no entanto, tem reforçado que sua participação é emocional e profundamente ligada ao respeito pelos músicos originais.

Na mesma entrevista, o baterista explicou que sua abordagem no Pantera é completamente diferente da maneira como toca no Anthrax. Segundo ele, a bateria do Anthrax é muito mais agitada, enquanto o estilo de Vinnie Paul era mais direto, pesado e essencial para a identidade do Pantera.

Benante afirmou que não entra nas músicas para “inventar moda” ou preencher espaços com excessos. Pelo contrário: seu objetivo é tocar exatamente como Vinnie tocava, respeitando as partes, os timbres e até a configuração de bateria usada pelo músico original. Para ele, isso é fundamental para que o Pantera soe como Pantera.

O baterista também revelou que Rex Brown já disse sentir algo muito forte ao tocar com ele. Segundo Benante, Rex chegou a comentar que, em alguns momentos, ao fechar os olhos, parecia estar tocando novamente com Vinnie Paul. Para Charlie, esse tipo de reação mostra que seu trabalho de estudo e respeito ao material original está no caminho certo.

A possibilidade de músicas novas, no entanto, ainda permanece indefinida. Em entrevistas anteriores, Benante já havia dito que houve conversas sobre o assunto, mas nada concreto. Ele também já demonstrou interesse em lançar um álbum ao vivo com a formação atual, como forma de documentar esse período da história do Pantera.

Zakk Wylde, por sua vez, também já comentou que toparia qualquer direção escolhida por Philip e Rex. Para ele, a banda já entrega um “álbum ao vivo” todas as noites, já que os fãs registram praticamente tudo com celulares. Ainda assim, um lançamento oficial seria uma forma mais sólida de registrar essa fase.

O retorno do Pantera aos palcos começou em dezembro de 2022, na Cidade do México. Benante contou que estava extremamente nervoso antes da estreia, mas que conseguiu se acalmar depois do início da primeira música. Desde então, a formação tem se apresentado em grandes festivais e turnês, mantendo vivo o repertório de uma das bandas mais influentes da história do metal.

Charlie também voltou a comentar as críticas recebidas desde o anúncio de sua participação. Para ele, muitas pessoas julgaram a iniciativa antes mesmo de assistir a um show. O baterista afirma que quem não quiser ir não precisa ir, mas acredita que as apresentações têm levado alegria a fãs antigos e também a uma nova geração que nunca teve a chance de ver o Pantera ao vivo.

A morte de Dimebag Darrell em 2004 e de Vinnie Paul em 2018 torna qualquer movimentação envolvendo o nome Pantera inevitavelmente sensível. Ainda assim, Benante defende que as músicas precisam continuar sendo tocadas e que sua função é honrar esse legado da forma mais fiel possível.

No fim, a ideia de músicas novas do Pantera ainda está no campo da possibilidade. Charlie Benante acredita que pode acontecer. Ele também acredita que conseguiria contribuir criativamente se esse momento chegasse. Mas a palavra final, como ele mesmo deixou claro, pertence a Philip Anselmo e Rex Brown.

Se um dia esse material sair, certamente será recebido com debate, expectativa e cobrança. Afinal, Pantera não é apenas uma banda. É um nome pesado demais para qualquer movimento passar despercebido.