O frontman do ICE NINE KILLS, Spencer Charnas, abriu o jogo sobre a experiência de dividir estrada com ninguém menos que o METALLICA durante os anos de 2023, 2024 e 2025. Em entrevista recente à rádio WRIF, de Detroit, o vocalista não economizou nas palavras ao descrever o impacto dessa jornada.
Influências que começaram na infância
Para Spencer Charnas, a conexão com o METALLICA vem de muito antes da turnê conjunta. O músico relembrou como a banda foi fundamental na sua formação:
“Foi incrível, cara. Se você volta para quando eu era criança, eram NIRVANA e METALLICA que me fizeram querer tocar guitarra. Eu queria aprender ‘Smells Like Teen Spirit’ ou ‘Master Of Puppets’.”
Ele também destacou uma memória marcante: seu primeiro show do METALLICA, em 1997, ao lado do pai, durante a fase do álbum Load.
“Aquele show explodiu minha mente. Eu consigo fechar os olhos e me ver lá, lembro de tudo com muita clareza.”
Horror + Metal: a identidade do ICE NINE KILLS
Curiosamente, o mesmo período também marcou o nascimento de outra paixão que moldaria o som do ICE NINE KILLS:
“Logo depois daquele show, fui assistir Scream. Foi quando nasceu meu amor por horror junto com o metal.”
Essa fusão entre cinema de terror e música pesada se tornaria a assinatura da banda anos depois.
Da estreia em Vegas à turnê mundial
O primeiro convite para tocar com o METALLICA veio em 2022, com um show isolado em Las Vegas. Mas a coisa rapidamente escalou:
“Se tivesse acabado ali, já seria incrível. Mas aí vieram mais e mais convites… até fazermos a turnê mundial completa. Foi surreal.”
Segundo Charnas, toda a equipe do METALLICA foi extremamente receptiva:
“A banda, a crew, todo mundo nos tratou muito bem. Foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.”
Desafio nos palcos gigantes do M72 Tour
Durante a turnê “M72”, o METALLICA apresentou um palco em formato “in-the-round”, com o famoso Snake Pit no centro — algo que exigiu adaptação do ICE NINE KILLS:
“Levou um tempo para pegarmos o jeito. O palco parecia um grande donut. No começo eu ficava sem fôlego correndo de um lado pro outro.”
Com o tempo, ele percebeu que não precisava exagerar na movimentação:
“Os telões fazem muito do trabalho. Às vezes, movimentos menores funcionam melhor do que sair correndo como um louco.”
Conselhos de James Hetfield
E rolou troca de ideia com ninguém menos que James Hetfield:
“Ele perguntou se já tínhamos entendido como usar o palco. Eu disse que não muito… e ele respondeu que ainda estava tentando descobrir também.”
Mesmo sendo gigantes, os integrantes do METALLICA seguem evoluindo:
“Eles são profissionais absurdos. E continuam entregando shows incríveis.”
Nervosismo? Só às vezes…
Apesar da experiência em grandes palcos, Charnas revelou que o nervosismo ainda aparece — e de forma inesperada:
“Às vezes não são os grandes shows que dão nervoso, mas os menores. Quando você se acostuma com estádios e volta para um lugar mais íntimo, dá um frio na barriga.”
Mas isso dura pouco:
“Quando a primeira música começa e o público canta junto, você esquece tudo.”
Novidades: “Scream 7” e fase criativa
Além da turnê, o ICE NINE KILLS segue ativo em novos projetos. Em fevereiro, a banda lançou “Twisting The Knife”, faixa da trilha sonora de Scream 7, com participação de Mckenna Grace.
O single veio acompanhado de um videoclipe caprichado, com participações de Roger L. Jackson (voz do Ghostface) e David Arquette.
Já em março, o grupo surpreendeu com “Hell Or High Slaughter (Grave Diggler: Pt. 2)”, um som com pegada glam oitentista lançado sob o nome fictício GRAVE DIGGLER.
Um sonho realizado na estrada
Para Spencer Charnas, dividir palco com seus ídolos foi mais do que uma conquista profissional — foi a realização de um sonho de infância:
“Eu ainda me pego pensando: ‘não estou aqui só para assistir — eu faço parte do show’. É algo que nunca vou esquecer.”
Por Maurício Almeida @mau_almeida_85
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