Veteranos de Seattle entregam quase duas horas de clássicos e mostram que seguem em plena forma diante de um Islington Assembly Hall lotado.
Em uma das noites mais quentes do ano em Londres, o Queensrÿche mostrou que sua relevância vai muito além da nostalgia. A banda subiu ao palco do Islington Assembly Hall, no último dia 23 de junho, e entregou um show de aproximadamente duas horas, revisitando mais de quatro décadas de carreira com a mesma precisão e intensidade que ajudaram a consolidar seu nome como um dos pilares do metal progressivo.
Uma trajetória que ajudou a moldar o metal progressivo
Surgido no início dos anos 1980, período em que gigantes como Iron Maiden, Judas Priest e Dokken disputavam espaço no cenário do heavy metal, o Queensrÿche escolheu um caminho diferente. Em vez de apostar apenas no peso e no espetáculo, o grupo construiu sua identidade com composições sofisticadas, técnica refinada e conceitos ambiciosos.
Essa abordagem acabou influenciando diretamente uma nova geração de bandas americanas, como Dream Theater, Fates Warning e Crimson Glory, que expandiram ainda mais os limites do metal progressivo nos anos seguintes.
Clássicos desde os primeiros minutos
A entrada da banda foi acompanhada por The Mob Rules, referência ao nome adotado pelo grupo antes de se tornar Queensrÿche em 1982. Logo em seguida, os músicos abriram os trabalhos com Queen Of The Reich, levando o público a uma verdadeira viagem no tempo.
Misturando fãs de longa data e uma geração mais jovem, a plateia respondeu com entusiasmo desde os primeiros acordes.
O vocalista Todd La Torre voltou a demonstrar por que é considerado um dos melhores frontmen da atualidade. Sua performance impressionou pela potência e pelo controle vocal, enquanto o guitarrista Michael Wilton comandava riffs e solos executados com precisão cirúrgica.
Setlist equilibrou clássicos e fase recente
Ao longo da apresentação, o Queensrÿche revisitou alguns dos momentos mais importantes de sua discografia.
Faixas como Operation: Mindcrime, Walk In The Shadows e Speak evidenciaram o equilíbrio entre melodias marcantes, peso e complexidade técnica.
Já I Don’t Believe In Love provocou um dos maiores coros da noite, confirmando seu status como um dos maiores clássicos da banda.
O repertório também abriu espaço para material mais recente. Enquanto Best I Can e Warning levaram os fãs de volta aos primeiros anos da carreira, músicas como Neue Regel e Behind The Walls mostraram que o grupo continua produzindo material relevante mesmo após mais de quatro décadas de estrada.
Emoção tomou conta do público
Um dos momentos mais marcantes aconteceu durante Take Hold Of The Flame. Com centenas de celulares iluminando o salão, a música transformou o ambiente em uma grande celebração, reforçando seu lugar entre os maiores hinos do heavy metal melódico.
Na reta final do show, Empire fez o histórico salão londrino estremecer com seu groove poderoso, antes de Eyes Of A Stranger encerrar a noite de forma apoteótica.
Queensrÿche segue mostrando sua força
Enquanto muitos veteranos vivem quase exclusivamente do fator nostalgia, o Queensrÿche continua demonstrando vitalidade no palco. O desempenho de Todd La Torre permanece impressionante, e a banda segue executando seu repertório com técnica, energia e enorme qualidade.
A apresentação em Londres reforçou que o grupo continua ocupando um lugar de destaque entre os grandes nomes do metal progressivo. Mais do que revisitar um legado histórico, o Queensrÿche mostrou que ainda é uma força criativa e uma referência quando o assunto é combinar inteligência musical, precisão e o peso característico do heavy metal.
Original por: Dany Jones (MetalTalk)
Traduzido por: Maurício Almeida — @mau_almeida85
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