Alex Lifeson e Geddy Lee celebram retorno do RUSH e descartam novas músicas

Após mais de uma década longe dos palcos, o RUSH vive um retorno emocionante com a turnê “Fifty Something”. Em entrevista à rádio chilena Radio Futuro, Alex Lifeson e Geddy Lee falaram sobre a recepção calorosa dos fãs, os desafios de voltar à estrada sem Neil Peart e a possibilidade de gravar material inédito com a nova formação.

A excursão, iniciada em 7 de junho, marca a primeira turnê do RUSH em mais de dez anos e a primeira desde a morte de Peart, em 2020. Ao lado de Lee e Lifeson, a banda agora conta com a baterista alemã Anika Nilles e o tecladista Loren Gold, conhecido por seus trabalhos com The Who e Chicago.

“Não estávamos preparados para essa reação”

Segundo Alex Lifeson, a resposta do público superou completamente as expectativas da banda.

“Não sei se estávamos totalmente preparados para a reação. Achávamos que muitos fãs talvez ainda estivessem frustrados com a forma como tudo terminou e acreditassem que nunca mais nos veriam ao vivo.”

O guitarrista afirmou que cada apresentação tem sido marcada por um clima de celebração.

“As pessoas estão chorando, rindo, cantando e simplesmente aproveitando algumas horas para escapar deste mundo tão maluco. Parece muito mais uma reunião de família do que um concerto.”

Lifeson destacou ainda a química da nova formação.

“A Anika entrou completamente na nossa loucura, e o Loren também tem um ótimo senso de humor. Nós quatro estamos muito felizes, e acho que o público sente isso.”

Geddy Lee: “Nunca trabalhei tanto na minha vida”

Para Geddy Lee, voltar ao palco exigiu um esforço enorme.

“Nunca trabalhei tanto na minha vida. As pessoas acham que basta subir ao palco e tocar três horas dessas músicas, mas até quem escreveu essas canções precisa trabalhar duro para tocá-las no nível que elas exigem.”

O baixista e vocalista explicou que jamais aceitaria voltar sem ter certeza de que conseguiria manter o padrão histórico da banda.

“Eu não pisaria naquele palco se não soubesse que poderíamos tocar no nosso nível máximo.”

Lee também lembrou que esse era justamente um dos princípios defendidos por Neil Peart.

“Essa era uma das razões pelas quais Neil decidiu parar de tocar. Ele sentia que já não conseguia entregar tudo o que queria.”

Apesar do enorme desafio físico e técnico, Geddy diz estar vivendo um dos momentos mais felizes da carreira.

“Toda noite estou sorrindo de verdade. Sei que não tenho muitos shows restantes no meu corpo, então vou aproveitar cada um deles.”

Quatorze meses de preparação

A preparação para a turnê começou cerca de 14 meses antes da estreia.

Segundo Lifeson, o cronograma parecia confortável no início, mas a reta final foi extremamente intensa.

“Nas últimas semanas pensamos: ‘Meu Deus, precisamos focar totalmente nisso agora’. Foi muito trabalho.”

Grande parte desse esforço envolveu a adaptação da baterista Anika Nilles ao vasto repertório do RUSH.

O desafio de aprender mais de 40 clássicos

Geddy revelou que Anika precisou estudar cerca de 43 músicas em aproximadamente um ano.

“Essas não são músicas fáceis. Ela trabalhou tanto quanto já trabalhou em qualquer coisa na vida.”

Como ela mora na Alemanha e os ensaios aconteciam em Toronto, boa parte do processo ocorreu à distância.

“Ela chegou a me dizer que o disco rígido do computador estava quase cheio de tanto material que estava estudando.”

Lee elogiou não apenas a técnica da baterista, mas também sua dedicação.

“Ela é uma musicista brilhante, extremamente inteligente e entendeu o tamanho da responsabilidade que estava assumindo.”

Os ensaios finais foram intensos.

“No último mês tocamos um show completo em 24 de 27 dias. Nunca trabalhamos tanto na vida.”

Sem planos para músicas inéditas

Apesar do sucesso da nova formação, Geddy descartou qualquer possibilidade de um novo álbum do RUSH neste momento.

Quando perguntado sobre composições inéditas, respondeu de forma direta:

“Não. Já temos trabalho suficiente tentando lembrar das músicas antigas e tocá-las.”

Um repertório para celebrar Neil Peart

A turnê “Fifty Something” reúne mais de 40 clássicos da carreira do RUSH, distribuídos em dois sets por noite. Segundo a banda, o objetivo é celebrar o legado de Neil Peart, considerado um dos maiores bateristas da história do rock.

A etapa norte-americana de 2026 começou com 22 apresentações, todas esgotadas rapidamente. Devido à enorme procura, novas datas foram adicionadas, elevando a turnê para 58 shows em 24 cidades, com mais de 500 mil ingressos vendidos.

Além disso, o grupo já confirmou que levará a turnê à América do Sul e à Europa no início de 2027. Será a primeira passagem do RUSH pela Europa desde 2013 e o retorno à América do Sul após 17 anos.

Mesmo sem Neil Peart, Lee e Lifeson mostram que o espírito do RUSH continua vivo — agora impulsionado por uma nova formação e pela emoção de reencontrar uma legião de fãs que aguardou mais de uma década por esse momento.